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Acne: “Está na cara”

Quando falamos em acne, imediatamente lembramos da adolescência. E se não foi você que teve esta desagradável erupção cutânea, pelo menos boa parte da sua turma teve algum episódio desse problema. Isso acontece porque é uma doença de pele bem comum, que invade rosto, ombros, costas, peito e atinge seu ápice na puberdade. Mas não pense que os adultos estão livres, não: a acne atinge pessoas de qualquer idade, muitas vezes por culpa da hereditariedade e, claro, dos nossos imprevisíveis hormônios.

Mas, o que é exatamente a acne? Trata-se de um conjunto de lesões na pele, causado pela presença de espinhas, nódulos, caroços, cicatrizes e comedões (aqueles pontinhos brancos ou pretos – os cravos). Eles aparecem por causa de disfunções nas glândulas sebáceas – localizadas em uma camada da pele – a derme –, que começam a produzir muito mais sebo do que deveriam. Isso começa a acontecer a partir da puberdade, com o aumento da produção dos hormônios sexuais masculinos (andrógenos) e femininos (estrógenos). Sendo estimulada por esses hormônios, principalmente os masculinos, as glândulas sebáceas passam a produzir sebo em série ilimitada, deixando a pele muito oleosa.

A maioria desses problemas ocorre porque a quantidade de sebo vai se acumulando no canal da glândula, obstruindo as portas de saída. Se isso se torna frequente, a excessiva quantidade de sebo atrai bactérias, que encontram ali um local propício para proliferar-se e reproduzir-se. Essas bactérias acabam produzindo substâncias que vão acabar inflamando a pele. As chances de isso acontecer são bem maiores nos locais onde há alto número de glândulas sebáceas, como o rosto, as costas e o peito.  Apesar de todos nós termos grandes quantidades de glândulas sebáceas, a incidência da doença é determinada pelo tamanho delas e da capacidade que elas têm de produzir sebo. E isso, normalmente, é determinado pela genética. Portanto a acne pode ser uma doença hereditária. Se seus pais apresentavam o problema, é bem provável que você também vá passar por ele.

Na adolescência, que é a fase mais comum da acne, isso pode virar um tremendo pesadelo, já que a garotada valoriza muito uma boa aparência para poder se encaixar em algum grupo. Com a “cara” cheia de acne, por mais que isso seja comum nessa fase da vida, o adolescente acaba retraindo-se por medo de ser motivo de gozações.

Acne tardia

Porém, o fim da puberdade não é sinônimo de que a era da acne acabou. Em torno de  30% da população adulta feminina, principalmente a partir dos 25 anos  sofre com a doença, que se manifesta em regiões como rosto, queixo e pescoço, em forma de espinhas dolorosas. Para elas que sofrem com este tipo de acne, vale salientar que há uma piora  bastante significativa no período da TPM; outra é que não há melhora com tratamentos convencionais e há necessidade do uso de medicamentos com ação mais específica sobre os hormônios.  Não existe uma explicação definitiva para a acne tardia, mas há hipóteses de que esteja relacionada ao estresse, ao uso de cosméticos muito gordurosos e, claro, às alterações hormonais. Algumas mulheres não apresentam predisposição, mas na idade adulta acabam apresentando alguma doença hormonal, como um tumor no ovário ou ovários policísticos, por exemplo. Isso faz com que aumentem os hormônios masculinos, causando o aparecimento de cravos e espinhas. O tratamento, nesse caso, pode ser feito com pílulas anticoncepcionais com progesterona, com ação antiandrogênica, ou seja: contra os hormônios masculinos.

Cuidados

A  melhor maneira de tratar a acne são os tratamentos dermatológicos. O diagnóstico é clínico e o tratamento é feito de acordo com o grau, a intensidade e o comprometimento da pele pela acne. Só depois disso é que vai ser decidido qual será o método utilizado: antibióticos, medicamentos à base de vitamina A ácida ou somente esfoliantes e secativos. As receitas caseiras não são nem um pouco recomendadas. Dependendo da substância utilizada, pode até haver piora do quadro.

Claro que, na guerra contra a acne, algumas coisas podem ser feitas em casa mesmo. A limpeza da pele, por exemplo. Lavar diariamente a região afetada com sabonete neutro ou específico para peles oleosas, por exemplo, já é um grande passo. Quanto mais limpa a pele, menor a possibilidade de agravamento da acne. Outro detalhe que deve ser bem observado é a composição dos cosméticos. É bom dar preferência aos não gordurosos e, se possível, adotar aqueles que vêm em forma de gel. Assim, os poros não entopem e a sujeira não se acumula, fazendo as bactérias perderem a chance de se instalar na pele.

E, ao contrário do que muita gente pensa, a alimentação não parece ter relação direta com a acne. Nem mesmo o chocolate, que vinha sendo apontado há décadas como o grande vilão da história, pode ser considerado culpado. Não existem alimentos que comprovadamente piorem a acne. E também não é preciso restringir alimentos, porém é sempre bom manter uma dieta equilibrada. Ou seja: uma vida saudável também pode contribuir – e muito – para o fim dessa grande inimiga.

Fonte: Dra. Ivete Fauri - Região Celeiro

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